A melhor ida ao cinema está num autocarro aí mesmo ao seu lado
Ousados leitores:
Bem sei que não temos escrito grande (ou até mesmo nenhuma) coisa neste blog. Isso deve-se ao facto do RPR ter ido para Angola não sei bem com que objectivo, mas assim que souber, partilharei convosco.
Mas o que realmente me traz aqui é o que se passa em tantos autocarros por este país fora e ninguém tem coragem de apontar o dedo.
Pois bem, eu não só aponto o dedo, como faço pontaria.
Ele é o seguinte… Em todos os autocarros apanhamos com pessoas (como quem diz Mulheres) que apenas conseguem falar do tempo, de doenças, da patroa, da filha da patroa, e claro… Da quinta das celebridades.
São pessoas que perdem o autocarro propositadamente para se encontrarem sempre à mesma hora no autocarro seguinte com as companheiras habituais de viagem. Ficam 3 horas à chuva se necessário para entrarem no autocarro e ficarem aqueles preciosos 5 minutos a falar de parvoíces e coisas sem interesse.
Essas pessoas são facilmente detectáveis pela característica de ao iniciarem uma frase acrescentarem na maior parte das vezes a expressão “diz que”.
Passo a exemplificar:
”Aqui a esta hora? Pensava que só vinha na carreira dajoito”
”Diz que a minha patroa deixou-me sair mais cedo”
”Diz que ‘tá frio”
”O pior ainda… É o frio”
”O meu mai-novo ‘tá enorme, faz hoje 12 anos”
”Ta grande, ‘tá! Faz 10, não é?”
”Diz que sim”
”Diz que a filha da minha patroa arranjou um namorado de pierche na orelha e ‘tá lá com as dietas”
E por aí adiante…
Até que chega a hora da despedida:
”Bom, dona Lurdes, amanhã a gente vê-se”
É típico.
E aí começa a acção… A corrida para ver quem carrega primeiro no STOP. A tensão é enorme. A que carrega primeiro dirige-se para a porta com um sorriso confiante e matador, de quem acabou de cumprir o seu objectivo e que tem uma vida nova pela frente.
A que perde essa corrida dirige-se para a porta com um ar incomodado e mete-se à frente das pessoas já preparadas para sair. Assim que as portas abrem, a derrotada sai do autocarro em primeiro lugar como uma vencedora. Coloca um sorriso nos lábios e ergue a cabeça.
A vingança está consumada…
Até mais ver.
GLP

1 Comentários:
Genial... Uma boa caracterização da classe operária lisboeta e que, infelismente, tenho que lidar com isso todos os dias no meu caminho para a minha instrução universitária.
Enviar um comentário
Subscrever Enviar feedback [Atom]
<< Página inicial