quarta-feira, abril 06, 2005

Esclarecimento (demorado)

Bem-haja.
Caro GLP e caros leitores (secalhar), para que fique esclarecido, o único e exclusivo objectivo da minha viagem a terras Angolanas foi o de enriquecer este blog. Claro que não entendem porquê porque, provavelmente nunca visitaram Angola mas, se o tivessem feito talvez entendessem a razão que me levou a tal viagem. Sim, Angola está minada de situações insólitas.

Fui convertido. Neste momento sinto certeza ao afirmar que prefiro a TPA e a RTP África à RTP Memória. Mas, por outro lado até fiquei contente quando, já regressado, soube que uma segunda edição da "Quinta das Celebridades" tinha começado. Ao menos agora tenho algo que me faz esquecer o que para trás foi deixado. Apenas para alguma diversão. (Também sou Humano, note-se)
Sinto falta daquele comércio ambulante onde artigos inimagináveis podem ser adquiridos. Desde bíblias infantis a ferros de engomar.
Sinto falta de um variado leque de indivíduos de onde se destaca um de nome Matraquilho. Bom rapaz, esse.
Sinto saudade da música de Dog Murras, dos anúncios de rádio e TV.

Apesar disto, não me parece (ou pelo menos não me cheira) que o blog tenha ficado mais rico, curioso. Se calhar é porque isto tudo que foi dito é estúpido. E então, se está a ler isto, respeitado leitor, e com todo o respeito que por si tenho deixe-me dizer-lhe que também o é (estúpido. Ou pelo menos um bocado parvinho) por já ter chegado até esta parte do texto. Quando é que aprende a não ler mais do que o título?
Até eu acho estúpido e, sinceramente não estou a perceber porque razão continuo a escrever.

E agora que finalmente já não estou a escrever, posso dizer a frase de despedida que estupidamente é sempre a mesma. Ainda gostava de saber porquê.

Até mais ver.

RPR.

segunda-feira, abril 04, 2005

A melhor ida ao cinema está num autocarro aí mesmo ao seu lado

Ousados leitores:

Bem sei que não temos escrito grande (ou até mesmo nenhuma) coisa neste blog. Isso deve-se ao facto do RPR ter ido para Angola não sei bem com que objectivo, mas assim que souber, partilharei convosco.

Mas o que realmente me traz aqui é o que se passa em tantos autocarros por este país fora e ninguém tem coragem de apontar o dedo.
Pois bem, eu não só aponto o dedo, como faço pontaria.

Ele é o seguinte… Em todos os autocarros apanhamos com pessoas (como quem diz Mulheres) que apenas conseguem falar do tempo, de doenças, da patroa, da filha da patroa, e claro… Da quinta das celebridades.
São pessoas que perdem o autocarro propositadamente para se encontrarem sempre à mesma hora no autocarro seguinte com as companheiras habituais de viagem. Ficam 3 horas à chuva se necessário para entrarem no autocarro e ficarem aqueles preciosos 5 minutos a falar de parvoíces e coisas sem interesse.

Essas pessoas são facilmente detectáveis pela característica de ao iniciarem uma frase acrescentarem na maior parte das vezes a expressão “diz que”.
Passo a exemplificar:
”Aqui a esta hora? Pensava que só vinha na carreira dajoito”
”Diz que a minha patroa deixou-me sair mais cedo”
”Diz que ‘tá frio”
”O pior ainda… É o frio”
”O meu mai-novo ‘tá enorme, faz hoje 12 anos”
”Ta grande, ‘tá! Faz 10, não é?”
”Diz que sim”
”Diz que a filha da minha patroa arranjou um namorado de pierche na orelha e ‘tá lá com as dietas”
E por aí adiante…

Até que chega a hora da despedida:
”Bom, dona Lurdes, amanhã a gente vê-se”

É típico.

E aí começa a acção… A corrida para ver quem carrega primeiro no STOP. A tensão é enorme. A que carrega primeiro dirige-se para a porta com um sorriso confiante e matador, de quem acabou de cumprir o seu objectivo e que tem uma vida nova pela frente.
A que perde essa corrida dirige-se para a porta com um ar incomodado e mete-se à frente das pessoas já preparadas para sair. Assim que as portas abrem, a derrotada sai do autocarro em primeiro lugar como uma vencedora. Coloca um sorriso nos lábios e ergue a cabeça.
A vingança está consumada…

Até mais ver.

GLP